Primeiro navio autônomo deve atravessar o Oceano Atlântico em setembro

Os carros autônomos são os veículos que mais ganham manchetes quando o assunto são pilotos dotados de inteligência artificial, mas outros meios de transporte também estão sendo testados com a tecnologia. É o caso do Mayflower, o primeiro navio que vai atravessar o Oceano Atlântico pilotado por IA no decorrer desse ano. O nome do navio é uma homenagem ao Mayflower original, que em 1620 transportou 102 peregrinos a partir de Plymouth, na Inglaterra, até o Cabo Cod, nos Estados Unidos, onde eles fundaram a cidade com o mesmo nome daquela de onde partiram. Os passageiros são reconhecidos como os primeiros colonos a se estabelecerem nas terras que mais tarde formariam os Estados Unidos.

O novo navio está em fase final de construção na Polônia, e vai ser pilotado pelo AI Captain, um sistema desenvolvido pela IBM e pela organização de pesquisa marinha Promare. A equipe treinou a inteligência artificial durante os últimos dois anos usando mais de um milhão de imagens náuticas obtidas de câmeras instaladas na baía de Plymouth Sound, assim como imagens de bases de dados abertas. Como resultado, ela é capaz de detectar e classificar objetos encontrados no mar durante viagens de navio. Numa primeira fase a ser iniciada ainda esse mês com duração de dois meses, o AI Captain vai ser testado no navio de pesquisa tripulado Plymouth Quest. No primeiro mês, ele vai receber informações do radar do navio, de GPS, do sistema de navegação e de visibilidade. Em abril, ele vai ser equipado com câmeras, visão computacional e capacidades autônomas. O objetivo é verificar como o sistema usa visão computacional para navegar com segurança ao redor de navios, boias e outros obstáculos na sua viagem transatlântica. Após sua aprovação, ele deve iniciar em setembro a tarefa para a qual foi projetado: reproduzir a viagem do Mayflower original, celebrando os 400 anos da jornada, mas sem qualquer tripulação.

Como um dos seus maiores desafios devem ser as condições do tempo, o AI Captain vai usar dados de predição disponibilizados pela empresa The Weather Company. As decisões necessárias para correção de rota serão feitas pelo sistema ODM (Operational Decision Manager, ou Gerente de Decisão Operacional) da IBM, que disponibiliza relatórios transparentes de seu processo decisório, permitindo uma análise mais segura de seu desempenho. Já que não terá acesso a conexões de banda larga durante boa parte do trajeto, o navio precisará ser equipado com todo o hardware necessário, disponibilizado pela IBM. Apesar do custo maior, o processamento local dos dados deve aumentar a velocidade do processo de tomada de decisão, permitindo respostas de menor latência.

Atualmente, os pilotos automáticos não são capazes de se adaptarem dinamicamente a novas situações, exigindo o monitoramento de um piloto humano. O objetivo do projeto é desenvolver um navio com navegação totalmente automatizada, em alguns dos cenários mais desafiadores do planeta quando o assunto é transporte.

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