Primeira cirurgia da coluna realizada com inteligência artificial

No começo de janeiro, o médico cirurgião Edward Smith realizou, no hospital Rush Health Systems, no estado americano do Mississipi, a primeira cirurgia da coluna informada por inteligência artificial, usando implantes espinhais específicos ao paciente.

A empresa responsável pelo desenvolvimento é a MEDICREA, cuja especialidade é a medicina preventiva baseada em big data e tecnologias de machine learning, possibilitada por uma coleção crescente de dados clínicos e científicos. No caso da cirurgia do Dr. Smith, foi pivotal o uso do software proprietário UNiD ASI (Adaptive Spine Intelligence, ou Inteligência Espinhal Adaptativa), que aplica inteligência artificial para planejar a cirurgia, modelos preditivos para prever os resultados, e desenvolve os implantes específicos ao paciente.

O trabalho começa com a análise das imagens da coluna do paciente, que são alinhadas com valores normativos para garantir a padronização do procedimento. O médico responsável então trabalha junto com engenheiros biomédicos da empresa para otimizar o planejamento da cirurgia, através de simulações que geram relatórios detalhados. Nessa etapa, os modelos preditivos permitem visualizar a postura do paciente no pós-operativo. Em seguida, os implantes são gerados com impressão 3D conforme as necessidades do paciente e as decisões do médico, e entregues no momento da cirurgia. Junto com os implantes, é entregue um relatório que o médico só precisa confirmar, sem a necessidade de manipular implantes genéricos comumente encontrados no mercado. Uma plataforma permite acompanhar o paciente após a operação, disponibilizando as análises do paciente e imagens médicas tridimensionais. Assim é possível integrar os dados pré, intra e pós-operatórios para que o médico possa identificar tendências, correlações e acompanhar os resultados. Os dados são usados para aperfeiçoar os modelos algorítmicos usados e assim melhorar o resultado final dos pacientes, ao mesmo tempo reduzindo custos. Além dos benefícios pessoais, a inteligência gerada no processo de um paciente é utilizada para melhorar o processo todo, aumentando a eficiência da solução para novos pacientes.

O Dr. Smith acredita que essa abordagem é o futuro da área, já que a tecnologia permite a tomada de decisões melhor informadas e o planejamento de execuções precisas durante a operação.