Argumento do Quarto Chinês

O quarto chinês foi um argumento construído por John Searle em 1980, um filósofo norte-americano que pretendia com essa teoria contrapor os pesquisadores da área da Inteligência Artificial. Esse argumento tem certa relação com o Teste de Turing, que objetiva verificar se uma máquina pode ou não ser considerada inteligente. Caso você não conheça o Teste de Turing, clique aqui para ler um artigo sobre esse assunto!

O argumento de Searle é baseado no fato de que os computadores podem entender somente a sintaxe mas não a semântica; e para entender melhor essa afirmação, vou agora explicar com mais detalhes como o quarto chinês funciona, usando como exemplo você leitor!

Considere que por algum motivo você foi preso na China e necessita desesperadamente provar sua inocência, porém, você está impossibilitado de entrar em contato com a embaixada do Brasil e todos na prisão somente falam chinês. De tempos em tempos, o governo da China lhe envia algumas mensagens (com aqueles símbolos em chinês) que você precisa responde-las, porém, você não entende nada de chinês e praticamente não consegue diferenciar os símbolos da linguagem de meros rabiscos! Por sorte, você tem um colega de cela que por algum motivo possui uma lista de palavras em português que são correlacionadas com os símbolos em chinês. Dessa forma, você agora pode pegar a mensagem em chinês, comparar os símbolos dessa tabela de correlação, entender o texto que foi enviado para você e até mesmo elaborar uma resposta. Com isso, você agora consegue se comunicar com o governo chinês mesmo sem saber uma palavra sequer dessa língua, ou seja, você vai adquirindo experiência com a manipulação desses símbolos.

Com base nesse exemplo, Searle argumenta que a pessoa no quarto (ou prisão em nosso exemplo), somente consegue as respostas manipulando os símbolos em chinês sem um significado ou semântica, ou seja, a pessoa se comportou exatamente como um computador  por meio da execução baseada em elementos formais. Ele também justifica que por mais que os computadores possam ter esses elementos formais para realizarem o processamento, eles jamais compreenderão todo o contexto (assim como a pessoa dentro do quarto).

Um dos objetivos de Searle foi também responder ao Teste de Turing, que considera um computador inteligente se ele conseguir fingir ser um humano em interações com outros humanos. Porém, Searle procura justificar que somente “seguir regras” é como se fosse trabalhar somente em um nível sintático mas sem um conhecimento ou compreensão do que efetivamente está acontecendo. Em resumo, para o filósofo a compreensão está relacionada a possuir estados mentais e efetivamente “pensar”. Essa teoria gerou muitas controvérsias e respostas na época, pois se o computador não pudesse ser considerado inteligente quer dizer que o humano na prisão também não poderia!

Como o objetivo deste artigo é somente para você ter uma visão geral do que é o quarto chinês, abaixo você pode fazer o download de um excelente artigo do André Sathler Guimarães, que discute a irrelevância do argumento do quarto chinês para a área da Inteligência Artificial.

Para contextualizar melhor, o argumento de Searle está ligado à Inteligência Artificial Forte, que diz respeito a construção de máquina com autoconsciência. Para saber mais sobre essa perspectiva leia o artigo IA Forte x IA Fraca.

E para fechar o artigo e você entender um pouco mais sobre as diferenças entre o Teste de Turing e o Quarto Chinês, assista o vídeo abaixo!

 

It's only fair to share...Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on TwitterShare on LinkedIn

Sê o primeiro

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *